“Queremos promover essa integração entre as pastas do governo, as lideranças e espaços da comunidade” Andrea Simplicio, gerente de Diversidade da Subsecretaria de Promoção das Mulheres

Marlene Barbosa dos Santos, 43 anos, moradora de Ceilândia há mais de três décadas, juntou as cadernetas de vacinação dos filhos, chamou os vizinhos e foi até a Casa Akotirene, quilombo urbano localizado em Ceilândia, para usufruir de um dia diferente. Lá, ela e a família tomaram a vacina contra a influenza e receberam orientações sobre higiene bucal.

As ações das quais dona Marlene participou fazem parte da programação da Secretaria da Mulher (SM) preparada especialmente para julho, quando é celebrado o Mês das Pretas. São atividades voltadas à promoção econômica, bem como à prevenção e ao cuidado da saúde de mulheres negras.

Marlene Barbosa dos Santos: “Ações como essa trazem muitas coisas boas para a nossa comunidade” | Fotos: Divulgação/Secretaria da Mulher

A visita ao quilombo foi feita em parceria com equipes da Secretaria de Saúde (SES). Houve bate-papo sobre enfrentamento à violência doméstica, saúde sexual e reprodutiva e prevenção ao câncer de mama, além de uma oficina sobre alimentação saudável.

“Queremos promover essa integração entre as pastas do governo, as lideranças e espaços da comunidade para que, cada vez mais, possamos apoiar essas mulheres, por meio da promoção da saúde e da prevenção das violências”, informou a gerente de diversidade da Subsecretaria de Promoção das Mulheres, Andrea Simplicio.

Demandas

Ao longo do dia, também foi feita a coleta de dados sobre as demandas sociais da comunidade que vive no local. Também foram apresentados os serviços e os equipamentos de acolhimento e de proteção oferecidos pela SMDF às mulheres vítimas de violência.

As mulheres puderam ser vacinadas contra influenza, fazer testes rápidos de hepatite, HIV e sífilis, além de aferir a pressão e a glicemia e receber orientação sobre como manter a saúde bucal. Equipes da SES também distribuíram kits de higiene dental.

“Esse evento foi muito importante, porque muitas mulheres deixam de se cuidar e perdem oportunidades por falta de informação”, disse Marlene. “Ações como essa trazem muitas coisas boas para a nossa comunidade.”

Joice Marques, diretora-geral da Casa Akotirene: “Queremos que elas saiam de uma situação de vulnerabilidade e passem a andar com as próprias pernas e a decidir seu próprio caminho”

No total, foram 44 atendimentos entre mulheres que participaram dos bate-papos e as que foram inscritas nas oficinas do projeto de capacitação Mulheres Hipercriativas, elaborado pela SM em parceria com a Organização dos Estados Ibero-americanos (OEI). Também foram contabilizados mais de 100 atendimentos gerais de saúde, somando doses de vacinas aplicadas e testes rápidos.

“Nosso objetivo é criar um espaço de acolhimento e, com essa parceria com a Secretaria da Mulher, conseguir potencializar cada vez mais os serviços e trazer ainda mais mulheres para esse cenário de transformação”, disse a diretora-geral da Casa Akotirene, Joice Marques. “Queremos que elas saiam de uma situação de vulnerabilidade, de necessidade e passem a andar com as próprias pernas e a decidir seu próprio caminho.”

Quilombo urbano

Presentes em diferentes pontos do território brasileiro, os quilombos são comunidades descendentes de escravizados fugitivos onde se busca preservar as tradições ancestrais relacionadas à religião, medicina, gastronomia e arte. A Casa Akotirene é um espaço considerado por sua comunidade como um quilombo urbano.

Localizada em Ceilândia, a Akotirene foi criada no início de 2019 e tem a premissa de conceituação de um local de resistência preta. O espaço foi idealizado por mulheres negras do coletivo Afromanas, formado por Jusianne Castilho, Joice Marques e Aline Karina, a partir da necessidade de criar um local para concretizar ações e dialogar com a comunidade da região, na construção de suas próprias narrativas e no desenvolvimento de identidade afro-brasileira. Atualmente, o quilombo oferece serviços de acompanhamento psicológico e jurídico e acolhimento a cerca de 150 famílias da comunidade.

 Mês das Pretas

A Secretaria da Mulher celebra, em julho, o mês de referência das lutas de mulheres negras. No dia 25, é comemorado o Dia da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha.

Ao longo do mês, a secretaria vai oferecer uma programação recheada de ações voltadas à promoção das mulheres negras no âmbito da saúde e da autonomia econômica, com oficinas on-line de capacitação, além da live Boas práticas sobre a promoção da autonomia econômica de mulheres na América Latina, em parceria com a ONU Mulheres, e um webinário, em colaboração com a Secretaria Especial de Políticas e Promoção da Mulher do Rio de Janeiro (SPM-Rio) e a Plan International.

Confira, abaixo, a agenda completa das ações do Mês das Pretas.

● 19 a 22 – Webinário AfroEmpoderadas: autonomia econômica de mulheres negras, com SPM-Rio e Plan International
Dia 19, às 16h30 – Mesa de abertura: Juntas somos mais fortes / articulação entre RJ, DF e SP pelas mulheres
19, às 17h – Empoderamento e renda: efeitos na saúde da mulher negra
20, às 17h – Organização de finanças e princípios africanos para se pensar a emancipação de mulheres negras
21, às 14h – Trabalhos do futuro: espaços que precisamos disputar
21/07, às 17h – Meninas e mulheres negras: direito ao bem-viver
22, às 17h – Mulheres no mundo do trabalho: apontamentos sobre a média gestão e empreendedorismo

● 25 – Atividades comemorativas ao Dia da Mulher Negra Latina e Caribenha

● 26 – Live Promoção da autonomia econômica de mulheres negras na América Latina, com ONU Mulheres

● 27– Oficina on-line Biojoias e empreendedorismo negro

● 28 – Oficina on-line Resgate ancestral como ferramenta de empreendedorismo

● 29 – Oficina on-line Produção cultural para mulheres negras

*Com informações da Secretaria da Mulher



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