Bruno Brandão – Ascom HGWA Texto e Foto

Temas como cinema, música, arte são debatidos no bate-papo virtual, além de assuntos mais íntimos, ligados ao medo, por exemplo

Uma roda de conversa online vem fazendo a diferença na vida de alguns jovens atendidos pelo Programa de Assistência Ventilatória Domiciliar (PAVD). A oportunidade de um diálogo e até mesmo de compartilhar emoções se tornou ainda mais importante durante a pandemia de Covid-19. Os jovens que participam da iniciativa têm entre 20 e 22 anos e são atendidos pelo Serviço de Atenção Domiciliar (SAD) do Hospital Geral Dr. Waldemar Alcântara (HGWA), unidade da Secretaria da Saúde do Ceará. Eles aceitaram participar da roda a convite da psicóloga do SAD, Renata Mesquita. No bate-papo, temas como cinema, música, arte são debatidos no bate-papo virtual, além de assuntos mais íntimos, ligados ao medo, por exemplo.

O jovem Rick Mateus, de 21 anos, sofreu um acidente que o deixou paraplégico, aos 3 anos. Acompanhado pelo Hospital Infantil Albert Sabin (Hias), ele foi encaminhado ao SAD quando atingiu a maioridade. Hoje, mesmo com todas as dificuldades, Mateus aprendeu a pintar utilizando um pincel na boca. Conversar sobre seu dia a dia faz toda a diferença. “Me ajuda demais a colocar os problemas para fora. Recentemente, tivemos a participação de uma profissional que conversou sobre arte e fiquei bastante motivado”, pontua.

De acordo com a psicóloga, esse momento surgiu da necessidade desses jovens terem uma interação. “Eu já fazia atendimento psicológico e percebi que seria um benefício essa interação entre eles. Eles são acamados, vivem cada um em suas casas, mas acabam muitas vezes ficando sozinhos, necessitando de uma interação social, além dos familiares”, destaca Mesquita.

“Eu acho muito interessante. Conheci novas histórias de luta, assim como a minha. A gente tira o estresse, sai um pouco da mesmice e nos sentimos muito bem“, conta Carlos Gabriel, que foi vítima aos 17 anos de uma bala perdida durante um assalto. Apaixonado por futebol, o jovem também ficou paraplégico.

Roda de conversa

As rodas iniciaram em março deste ano. Renata Mesquita pretende aumentar a integração e fazer com que outros pacientes de diferentes idades participem dos encontros. “No ano passado, por causa da pandemia, comecei a realizar alguns atendimentos online pelo SAD. Tivemos um encontro de cuidadores e percebi que um grupo somente com esses jovens seria bastante interessante. Esse grupo ocorre sempre às terças e a proposta é oferecer um espaço para que eles possam conversar livremente, sobre os medos, as angústias, as conquistas”, detalha a profissional. “Eles escolhem um tema de interesse ou deixamos livre. Recebemos, inclusive, convidados, profissionais de diversas áreas que contribuem compartilhando informações sobre a profissão. A proposta é que o momento seja realizado quinzenalmente, mas eles já solicitaram até uma vez por semana”, diz.

Sob o olhar da profissional de saúde mental, o espaço de escuta é muito importante. É diante das telas dos celulares que eles conseguem falar daquilo que dói. “Tem dias mais emotivos, em que eles compartilham as mesmas dores. É um vínculo terapêutico com a possibilidade de ter uma elaboração das suas angústias e construir algo a partir disso. Esse ambiente, com essa liberdade em falar aquilo que é delicado, possibilita que eles consigam pensar sobre isso e elaborar formas de lidar”, analisa.





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