Curso mostra a produtores do DF potencial da apicultura – Agência Brasília

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Para aprimorar o conhecimento de produtores rurais, a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do DF (Emater) está realizando um curso de apicultura e meliponicultora em São Sebastião. A criação de abelhas com e sem ferrão exige pouco e pode ser uma alternativa de atividade produtiva aliada à preservação ambiental.

O curso é oferecido a cada seis meses a produtores rurais de todo o DF, em cinco módulos de oito horas cada, com conteúdo teórico e aulas práticas | Fotos: Divulgação Emater

Além do mel, as colmeias oferecem cera, pólen, própolis, geleia real e apitoxina — este último, ainda pouco explorado no Brasil e bastante valorizado no mercado internacional. Todos os produtos são usados na alimentação e também na fabricação de cosméticos e medicamentos.

Com o curso, os produtores aprendem sobre a importância biológica e econômica das abelhas, a biologia das abelhas nativas e exóticas, as instalações e equipamentos necessários para o manejo de abelhas e as técnicas de captura de enxame para correta destinação.

O mel e seus derivados fazem parte de uma extensa cadeia produtiva. Os produtos são utilizados para alimentação, estética e para fabricação de medicamentosCarlos Morais, extensionista da Emater

No total, são cinco módulos de oito horas cada, com conteúdo teórico e aulas práticas. O curso é promovido semestralmente e produtores interessados em participar devem procurar o escritório da Emater mais próximo de sua propriedade. Na última sexta (12), foi realizado o segundo módulo do curso em São Sebastião.

A apicultura

Antes de começar a criar abelhas, é importante definir toda a estratégia de trabalho, identificar os objetivos da atividade – se será por hobby ou trabalho profissional – e a partir daí fazer um planejamento.

Segundo o extensionista Carlos Morais, para criar abelhas é fundamental conhecer o inseto. O produtor não pode ser alérgico ao veneno e precisa montar o local de cultura a uma distância de 300 m a 500 m de residências, de locais com animais domésticos e de estradas.

O extensionista Carlos Morais chama a atenção para a importância do contato com outros apicultores antes de iniciar a cultura de abelhas

A Emater pode contribuir com a assistência técnica e no contato com demais produtores da região, mas Carlos Morais recomenda: “Buscar toda e qualquer informação é fundamental. Livros, revistas, pesquisas científicas e sites na internet darão uma visão inicial”.

“Deve-se procurar outros apicultores, informar-se, saber da atividade, conhecer apiários já instalados, certificar-se de como são apiários já em produção e como os apicultores lidam com seus apiários. Essas visitas vão ajudar a sanar dezenas de dúvidas para o iniciante na atividade”, acrescenta o extensionista.

O mel produzido no DF tem como vantagem em relação aos das outras regiões o teor menor de umidade. O preço médio do quilo do produto custa R$ 45 e, neste período de pandemia, o própolis também tem sido muito procurado.

Morais explica que as abelhas produzem própolis para sua defesa e proteção de crias, a partir de resinas e seivas das plantas. “Aqui no cerrado, elas utilizam principalmente o alecrim do campo e produzem o melhor própolis do país – o própolis verde. Criadores em outras regiões estão cultivando essa planta especialmente para a produção de própolis”, conta.

Além dos produtos provenientes das abelhas, a apicultura gera emprego na fabricação de caixas, vestimentas, utensílios para o manejo na criação, equipamentos industriais para processamento, embalagem, transporte e comercialização dos mais variados produtos.

R$ 45é o preço médio do quilo de mel de abelha com ferrão

“O mel e seus derivados fazem parte de uma extensa cadeia produtiva. Os produtos são utilizados para alimentação, estética, para fabricação de medicamentos, entre outros”, explica Carlos Morais.

Meliponicultura

Uma alternativa à abelha melífera são as abelhas nativas sem ferrão, como os meliponíneos. Essas abelhas são mais eficientes polinizadoras do que a exótica Apis mellifera (que tem ferrão) para grande parte das plantas cultivadas.

Na região do Lago Norte,  um grupo de produtores vem investindo na criação de abelhas indígenas sem ferrão como alternativa de atividade produtiva aliada à preservação ambiental. As abelhas Jataí polinizam até 90% das árvores e flores nativas da região e produzem um mel de maior valor agregado que o de abelhas com ferrão.

Além de a abelha indígena ter maior potencial como agente polinizador das flores que não são polinizadas pelas abelhas com ferrão, a espécie não é agressiva, o que facilita seu manejo. A jataí (Tetragonisca angustula) produz um mel com maior umidade, menos denso, com sabor e aroma diferentes.

A produtividade das abelhas jataí é de 0,5 kg a 1,5 kg de mel por caixa de abelhas por ano, quantidade baixa se comparada à produção da espécie com ferrão. Entretanto, enquanto o mel da abelha com ferrão custa em média R$ 45 o quilo, o das abelhas nativas varia de R$ 60 a R$ 120 o quilo.

*Com informações da Emater



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