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    O Black Album e as criptomoedas – Money Times


    Caio Mesquita, Empiricus
    “A questão maior nos mercados internacionais segue sendo, porém, a iminência do início do novo ciclo de aumento da taxa de juros a ser promovido pelo Federal Reserve”, escreve (Imagem: Divulgação/Empiricus)

    Inicio a primeira Empiricus 24/7 de 2022 desejando-lhe um excelente ano, repleto de alegrias, conquistas, prosperidade e, o mais importante, muita saúde para você e sua família.

    O ano mudou, mas a virada do calendário não nos livrou das questões que seguem afetando os mercados e, por consequência, nosso humor quando acessamos o noticiário e as cotações dos nossos investimentos.

    A variante ômicron continua produzindo números recordes de casos, felizmente com sintomas mais brandos, especialmente para os vacinados. A torcida é que revisitemos o que aconteceu no seu país de origem, onde algumas semanas foram suficientes para os sul-africanos superarem a nova onda. Até lá, os episódios de disrupção nas cadeias logísticas mundiais devem seguir causando preocupação.

    A questão maior nos mercados internacionais segue sendo, porém, a iminência do início do novo ciclo de aumento da taxa de juros a ser promovido pelo Federal Reserve (Fed, o banco central americano).

    Não há novidade sobre isso. O consenso gira em torno de quatro aumentos sucessivos na taxa dos Fed Funds (a Selic americana) em 2022. O que pesa, porém, é a perspectiva sobre a efetividade desses aumentos para conter a alta dos preços, além das dúvidas sobre a natureza da própria inflação, passageira versus perene.

    Enquanto analistas debatem sobre inflação, investidores buscam se proteger. Resultado, os juros de longo prazo seguem subindo, causando forte rotação nos fluxos de Bolsa, com dinheiro saindo das ações de crescimento para as ações de valor.

    Por aqui, a preocupação quanto ao futuro da condução da nossa economia permanece. A alta dos juros promovida pelo Banco Central devolveu o brilho às aplicações de renda fixa em detrimento de investimentos em renda variável.

    Ações de menor capitalização, especialmente aquelas ligadas a histórias de crescimento, estão bastante descontadas. Embora a correção faça sentido diante do peso de taxas de juros mais altas sobre fluxos futuros, começa a haver casos claros de discrepância entre valor e preço, abrindo possibilidades de operações de M&A ou fechamento de capital que capturem tal diferença.

    O mau humor não poupou nem as criptomoedas, em baixa desde o início da sinalização de mais juros por parte do Fed.

    Aqui há um ponto interessante. Pela sua própria natureza absolutamente inovadora, as moedas digitais sempre foram entendidas como descorrelacionadas com os mercados tradicionais. Longe das autoridades, políticas e monetárias, as criptomoedas, especialmente o bitcoin, pareciam protegidas das mazelas advindas de intervenções excessivas nos mercados.

    Durante anos, os preços das criptomoedas comportavam-se de forma própria, com um conjunto de compradores particulares, sem ligação com os grandes investidores institucionais.

    Isso não acontece mais. O sucesso das criptomoedas trouxe não só interesse, mas participação efetiva de grandes investidores à nova classe de ativos. O ápice desse fenômeno foram os lançamentos dos dois ETFs de cripto nos Estados Unidos, o que possibilitou a entrada de investidores até então impedidos de ter exposição a criptomoedas.

    Tal como o “Black Album” tirou o Metallica do underground dos tempos de “Kill ‘Em All”, elevando a banda para o mainstream da música mundial, os ETFs de cripto conectaram definitivamente os mercados. 

    Estruturalmente, tal mudança é positiva para os investidores de cripto. Assim como Lars Ulrich e James Hetfield não parecem ter se arrependido da transição da banda para uma nova dimensão de sucesso, artístico e comercial, o reconhecimento das criptomoedas como uma classe de ativos relevante atesta a validade da proposta de valor das moedas digitais.

    O curto prazo, porém, é mais turbulento. Criptos se desvalorizam em sincronia com os mercados, assim como os fãs iniciais abandonavam o Metallica por terem se vendido e virado uma banda pop.

    Sigo otimista com as criptos, mas ainda acho que “Ride the Lightning” é o melhor disco do Metallica.

    Deixo você agora com os destaques da semana.

    Boa leitura e um abraço,

     



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